Levando ajuda e a palavra de Deus a todos os povos
Através das pesquisas que realizo, tanto para a Secretaria de Evangelização como para os Presbitérios percebo que, dentro da IPI do Brasil, existe um clamor sobre um tema específico, este é “Revitalização de Igrejas”. Por isso ultimamente estou pesquisando sobre ele. Dentro da minha procura, desejo ouvir e conhecer experiências de pastores e igrejas que conseguiram a tão desejada revitalização, em especial, se estas foram realizadas dentro do contexto brasileiro.
Particularmente, encontro como um grande desafio, encontrar experiências de revitalização de igrejas brasileiras, pelo seguinte motivo - usualmente não temos costumes de registrar o que realizamos, ou seja, não temos o costume de escrever nossas idéias, muito menos poder sistematizá-las em processos que logo possam ser expostos a outros.
Por isso conheço igrejas que foram revitalizadas, conheço pastores que revitalizaram igrejas, mas quando pergunto como foi feito, encontro poucas respostas que possam servir de guia.
Daí que decidi escrever este artigo, minha proposta é mostrar alguns princípios que tenho percebido nas conversas com revitalizadores.
1. Exegese da igreja e da comunidade
Um dos primeiros passos que realizam os revitalizadores é conhecer a história da igreja que revitalizarão e também a comunidade na qual a igreja está inserida. Isso é feito lendo as atas, para procurar saber quem foi a igreja mãe, quanto tempo de existência como congregação teve a igreja, quem foi o plantador, como surgiu este trabalho, quais metodologias foram usadas para plantar a igreja (pregação nas praças, cultos nas casas, evangelismo na rua, etc.). No caso de não ter essas informações nas atas, procuram nos irmãos mais antigos dados que possam ajudar a obter estas informações históricas.
Com respeito à comunidade, procuram visitar vizinhos antigos (cristãos e não cristãos) que possam lembrar como foi o crescimento do bairro, por exemplo, quando surgiram as casas ou os condomínios, quem foram os primeiros moradores, que características tinha o bairro 10 anos atrás, etc. Tudo isto nos deve levar a entender as mudanças acontecidas no bairro, e obviamente as que virão no futuro.
2. Planejamento estratégico
Algo fortemente enfatizado pelos revitalizadores é que um dos grandes fatores responsáveis pelo declínio de uma igreja é a falta de planejamento estratégico, com isto eles enfatizam que é muito importante ter um planejamento estratégico, o qual deve conter metas mensuráveis, tanto a curto, médio e longo prazo e que leve a ações assertivas.
Entende-se como um bom planejamento aquele que tem como base a missão da igreja de fazer discípulos. Também foi fortemente enfatizado que o planejamento estratégico deve ser feito junto com toda a igreja, pode ser no formato de um workshop de 2 dias, pode ser de outro modo, mas algo que definem como um tremendo erro é que o planejamento estratégico da igreja seja feito somente pelo pastor ou pelo conselho.
3. Fortalecimento da liderança
Outro fator inicial que gerou a revitalização de igreja foi um bom relacionamento com a liderança existente. Usualmente existe no início de um novo trabalho uma pequena tensão entre o pastor que está chegando e o conselho, que pode ser por uma questão de falta de confiança ou credibilidade total com o trabalho do novo ministro. Isso é algo natural, não devemos ver como algo negativo que só acontece com esse conselho, ou com essa igreja. Afinal, a confiança será ganha com o tempo, para isto é necessário muito respeito entre todos e cultivar uma relação verdadeira e transparente entre os membros do conselho.
Recomenda-se realizar reuniões informais que promovam a comunhão, também entender que Deus fala com todos, não só com alguns, assim todos devem procurar em conjunto a visão que Deus está revelando para essa igreja.
Tudo isto leva tempo, e esse é o seguinte princípio que estaremos abordando.
4. Respeitar as etapas da revitalização
Uma característica fundamental do revitalizador é saber esperar, saber entender os processos (daí a importância do planejamento). Para que isto seja realizado, ele precisa saber em que momento acelerar e quando deve ir mais devagar e, sobretudo precisa de paciência.
Na revitalização nem tudo acontece quando se deseja, já que algumas barreiras demoram para cair. Algo que encontrei comum nas minhas conversas com revitalizadores é o tempo que deve-se investir numa revitalização, tenho chegado à conclusão que usualmente revitalizar uma igreja demora entre 8 a 10 anos. Sendo assim, surgiu outra informação valiosa que está vinculada a questão do tempo, ou seja, o pastor que inicia a revitalização deve ser o mesmo que deve concluir, portanto, se o ministro não pretende investir na igreja pelo menos de 8 a 10 anos, é melhor não iniciar a revitalização.
Para entender isto melhor, é dado o seguinte exemplo: Algum de nós se atreveria a realizar uma cirurgia, sabendo que na metade da operação o médico vai embora e diz, olha, vou chamar um colega para que termine? Acredito que nenhum de nós realizaria essa cirurgia, sabendo que o médico sairia na metade. Do mesmo modo a igreja sofreria se o líder abandonar o processo deixando inacabado. Os resultados de mudança de ministro na metade da revitalização geram dureza na igreja e incredulidade com respeito às estratégias.
5. Não crie novos ministérios
Usualmente o ministro quando chega a uma nova igreja, ele quer modificar ou acrescentar muitas coisas que o anterior líder não fez, como uma maneira de justificar que está fazendo algo. Infelizmente uma de suas primeiras ações é criar novos ministérios e, muitas vezes, estes nem tem uma pessoa que lidere.
Na revitalização, acrescentar novos ministérios é um câncer. Usualmente igrejas em declínio encontram-se cheias de atividades, muitas delas com pouquíssima frequência, que leva continuamente a estar “suplicando” aos membros que participem.
Os revitalizadores afirmam que nos dois primeiros anos não se deve criar nada novo, a igreja deve evitar isso completamente.
6. Elimine atividades que não dão fruto
Produto da variada quantidade de métodos de crescimento de igreja que existe no mercado evangélico brasileiro, os líderes são tentados a usá-los como promessa que obterão o tão esperado crescimento de suas comunidades. Não quer dizer que os métodos sejam errados, muitos deles fornecem grande ajuda, a questão é que, quando queremos clonar um método e não consideramos as características de nossa comunidade, com o tempo, temos em nossas igrejas uma quantidade de ministérios e atividades que ninguém lembra porque surgiu.
O grande problema que surge é que estas atividades se tornaram o fim e não o meio, assim temos reuniões ou atividades que não produzem frutos, mas que consomem os recursos, tanto humano quanto financeiro da igreja. Temos atividades que perderam o motivo pelo qual foram criadas.
Portanto, é de muita importância e urgência eliminar algumas atividades da igreja. Mas surge a pergunta: Quais critérios devemos adotar para realizar isto? No seguinte princípio estaremos abordando sobre isso.
7. Visão Missional
A igreja a ser revitalizada precisa entender claramente que ela foi chamada para ir ao mundo e fazer discípulos, sendo assim, ela é chamada para pregar o Evangelho de salvação às pessoas não cristãs, e estas obviamente, moram fora do templo. Isso é ser uma igreja missional, uma igreja que está sempre em missão no mundo.
Um problema encontrado nas igrejas que estão em declínio e que precisam ser revitalizadas, é que elas centralizaram suas atividades no templo, achando que as pessoas virão. Infelizmente as pesquisas mostram o contrário, pois no mundo urbano em que vivemos o templo não é um lugar que chama atenção aos não cristãos. Então, precisamos definir que tipo de atividades serão usadas e mantidas para evangelizar aos não cristãos.
Obviamente, a segunda pergunta será: Quais atividades que a igreja realiza, mas que não está tendo por objetivo alcançar os não cristãos e fazê-los discípulos de Cristo? Sei que isso é difícil de compreender, pois nesse momento é que aparece o saudosismo, porém, devemos ser firmes e lembrarmos da parábola de Jesus sobre a figueira que não dá frutos.
Os revitalizadores afirmam que a tarefa de eliminar atividades que não dão frutos dentro da igreja não é nada fácil, inclusive, alguns irmãos ficarão magoados, outros até irão embora. Por isso é necessário nesse momento que todo o conselho esteja unido nesse processo e nessa visão para poder entender que revitalizar significa também perdas e sacrifícios.
8. Administração de problemas
Revitalizar traz problemas? Sim, com certeza. Os revitalizadores afirmam que surgirão murmuração, divisão, mentiras, pecados ocultos, conflitos antigos não resolvidos, etc. Então podemos dizer, NÃO QUERO REVITALIZAR!
É nossa decisão não fazê-lo, mas entendamos que se nosso Deus nos entregou uma tarefa não podemos fugir dela como fez Jonas, e algo que necessita ficar claro é que a revitalização não só é tarefa do pastor ou do conselho, ela é tarefa de todos.
9. Projetos Sociais
A igreja a ser revitalizada deve manter ou criar um projeto social? Dependendo do contexto onde ela está inserida ela pode ter um projeto social, mas é necessário entender que este projeto não deve consumir a missão da igreja, que é o fazer discípulos.
Um dos problemas que os revitalizadores encontraram foi que ao chegar nas igrejas que iriam revitalizar, muitas delas já possuíam um projeto social, e este, como muitas outras atividades da igreja, tinha surgido sem nenhum planejamento, assim com o tempo o projeto social consumia até 50% dos recursos financeiros e humanos da igreja, porém não cumpria com a missão da igreja, ou seja, não fazia discípulos de Cristo.
Um grande problema neste quesito é definir o que é assistencialismo e o que é projeto social, infelizmente neste momento de avaliação surge o saudosismo.
10. Mapeamento
Um bom mapeamento é necessário para conhecer nossa comunidade. Devemos procurar conhecer quais são as igrejas evangélicas de nosso bairro e onde estão localizadas. Qual é a classe sócio-econômica de nosso bairro. Qual é o grau acadêmico das pessoas que moram na comunidade. Qual é a faixa etária predominante, etc. Todas estas informações são de muita importância e devem ser obtidas antes do planejamento, já que nos servirá de diagnóstico situacional e para traçarmos estratégias de evangelismo para essa população.
11. Desenvolvimento de liderança
Uma grande carência encontrada nas igrejas pelos revitalizadores é a falta de liderança. É algo comum encontrar um membro que lidera 2 ou 3 ministérios. Estes ficam sobrecarregados e por consequência reclamam, surgindo com isto a idéia de que ministério é uma carga, um peso. Por isso quando se fala que a igreja precisa de um novo líder para encarregar-se de um ministério, ninguém se dispõe para servir.
Surge então a grande necessidade de capacitar os membros através de um programa contínuo de liderança e mostrar que ministério é um privilégio, quando exercido através do dom.
12. O líder
Deixei como último princípio o líder, não porque não seja importante, pelo contrário, ele é tão importante quanto os outros. Os revitalizadores afirmam: “o líder é o agente de mudança e a primeira mudança que ele deve realizar é em si mesmo através do cultivo de disciplinas espirituais.”
Se ele não tem o prazer de orar diariamente, que comece antes de revitalizar, se não tem o prazer de ler a Bíblia diariamente, que busque antes de revitalizar. Tudo isto deve produzir nele esvaziamento de poder próprio e enchê-lo do poder do Espírito de Deus.
Ao escrever este artigo, meu desejo é dar o início de conversa sobre revitalização de igrejas, e pedir que nosso bondoso Deus nos outorgue a sabedoria para discernir o que devemos fazer para revitalizar a igreja que participamos.
Em Cristo;
César Ramírez

