Levando ajuda e a palavra de Deus a todos os povos
Quando somos chamados para o ministério missionário assumimos a postura, consciente ou inconsciente, de soldados vitoriosos. Vemos a execução da missão de servir em tempo integral, além de um ato de obediência, como algo indolor e fácil de ser realizado. Essa é a nossa compreensão limitada e arrogante do chamado missionário.
Na verdade, o chamado abrange todos os aspectos da nossa vida. Somos atingidos de forma integral: espiritual, emocional, física e por que não dizer financeira. E quando recebemos esta convocação de Deus, a primeira coisa que nos acontece é a inquietação, provocada pela famosa baixa auto-estima ou mesmo por ouvir tantas vezes testemunhos dos mais mirabolantes e variados estilos, questionamos a Deus sobre o porquê desse chamado, se para nós, o mesmo deveria ser direcionado a alguém mais capaz, mais preparado, mais espiritual. Há uma verdadeira turbulência mental nesse período. Afinal, como deixar tudo para servir? É, deixar tudo! Isto é real, é concreto, não é subjetivo nem imaginário. Deus nos chama para deixar TUDO: família, bens, amigos etc. E esse deixar, não no sentido de abandonar ou menosprezar, tem a ver com a falta de apego a essas coisas ou pessoas, é sentir falta ou saudade, porém não deixar que elas sejam motivos de impedimento ao seu serviço. Esses questionamentos e preocupações são comuns com a todos os vocacionados, e isso não significa que estamos equivocados quanto ao nosso chamado.
Trata-se de um passo muito difícil, mas nada que desabone nossa capacidade de discernir e decidir obedecer. A capacitação vem daquele que o arregimentou. O Deus que nos convoca, alegra-se quando respondemos ao Seu chamado; confirma através da Igreja, que nos fornece o preparo capacitando através de um bom Seminário ou Centro de Treinamento; envia ao campo que Ele mesmo designar; e sustenta.
A nossa tarefa inicial é obedecer. O resto é com Ele. E por falar em resto, ainda quando estamos no processo de resposta à convocação de Deus, nossa preocupação além da questão vocacional, são certas dúvidas que nos vem à mente como: Será que eu vou me adaptar? Será que não sentirei saudades de casa? E se eu adoecer, quem vai cuidar de mim? E dinheiro? Quem vai me sustentar? Como vou poder comprar as coisas de que mais necessito ou gosto? E se eu morrer? Todas as perguntas e outras tantas também são comuns. Largar tudo não é fácil, afinal de contas, estar longe da família, dos amigos, de casa, é prova de fogo. No entanto, Deus nos chama de forma plena, e mesmo em meio às dificuldades, Ele está sempre presente. E isto não é utopia. É real. É prática e não apenas uma historinha que nos contaram por aí.
O chamado missionário é, depois da conversão, o momento mais significativo de nossas vidas. Ouvir Deus nos convocando para a missão específica, através do nosso testemunho pessoal, pregação da Palavra e nossa profissão, é algo sublime que não pode nos deixar soberbos, porém lisonjeados. A aflição e as dúvidas são normais, mas a satisfação, a felicidade, a realização (não a arrogância), o amor à obra e o desejo de ver vidas reconhecendo e confessando Jesus como seu Senhor e Salvador, deixam todas estas inquietações em segundo plano.
É crer no invisível, indo contra o impossível. É obediência.
Se o seu coração arde quando pensa nos perdidos que morrem sem Jesus todos os dias, então há em você paixão pelas vidas.
A paixão pelas almas deve incendiar o seu coração, e quando isso acontece a obediência ao chamado de Deus se torna mais fácil e rápido, porque você passa a enxergar com os óculos do amor e da fé, dando-lhe a convicção de que realmente o Senhor o chamou e vai lhe amparar em tudo. Basta obedecer e esperar pra ver o que Deus é capaz de fazer através de você.
Fonte: Mis. Sônia Maria Soares de Sá Barreto

